Há coisas na vida que simplesmente… são. Coisas que não podemos mudar, que existem antes de nós e continuarão depois de partirmos. Como a noite que escurece, ou o nascer do sol que insiste em brilhar mesmo nos nossos momentos de maior escuridão. A saudade, essa é também insistente. Parece uma criança que nos puxa o braço insistentemente apesar de atentarmos ignorar… enquanto não lhe encararmos, não se vai embora. Passo a mão na saudade, faço reconhecer a sua presença e ela que outrora parecera minha inimiga, me abraça em solidariedade. E ali, num embalar, me consolo nas lembranças e sou recompensada com o retorno de sentimentos que antes eu tinha perdido no abismo. E me vejo a rodopiar, entre lembranças e sentimentos, entre alegria e tristeza, e mergulho nas lágrimas para me afogar e morrer de angústia, mas as mãos que me socorrem são as mãos da esperança. A esperança de um dia voltar a te encontrar… mas o legado, o amor que geraste enquanto viva, essa corre em mim como corrente de electricidade e me mantém DESPERTA. Inabalável, inexplicável… Porque há coisas da vida assim, coisas que simplesmente… SÃO. E tu não eras, ÉS, e serás sempre, uma delas…
-Dedicado a Minha avó, Alice Lopes, que partiu muito cedo.
-Dedicado a Minha avó, Alice Lopes, que partiu muito cedo.
